É proibido achar

9, junho, 2010

 

height=280Chego em casa à noite, exausto. A mesa vazia. Nada sobre o fogão. Nem no forno. Nem na geladeira. Não há jantar. Pior! Os ovos, sempre providenciais, acabaram. Sou forçado a me contentar com um copo de leite e bolachas. No dia seguinte, revolto-me diante da empregada.

— Passei fome!
— Ih! Achei que o senhor não vinha jantar!

Solto faíscas que nem um fio desencapado ao ouvir o verbo “achar” em qualquer conjugação. É um perigo achar. Não no sentido de expressar uma opinião, mas de supor alguma coisa. Tenho trauma, é verdade! Tudo começou aos 9 anos de idade. Durante a aula, fui até a professora e pedi:

— Posso ir ao banheiro?

Ela não permitiu. Agoniado, voltei à carteira. Cruzei as pernas. Cruzei de novo. Torci os pés. Impossível escrever ou ouvir a lição. Senti algo morno escorrendo pelas pernas. Fiz xixi nas calças! Alguém gritou:

— Olha, ele fez xixi!

Dali a pouco toda a classe ria. E a professora, surpresa:

— Ih… eu achei que você pediu para sair por malandragem!

Vítima infantil, tomei horror ao “achismo”. Aprendi: sempre que alguém “acha” alguma coisa, “acha” errado. Meu assistente, Felippe, é mestre no assunto.

— Não botei gasolina no carro porque achei que ia dar! — explica, enquanto faço sinais na estrada tentando carona até algum posto.

Inocente não sou. Traumatizado ou não, também já achei mais do que devia. Quase peguei pneumonia na Itália por supor que o clima estaria ameno e não levar roupa de inverno. Palmilhei mercadinhos de cidades desconhecidas por imaginar que hotéis ofereceriam pasta de dente. Deixei de ver filmes e peças por não comprar ingressos com antecedência ao pensar que estariam vazios. Fiquei encharcado ao apostar que não choveria, apesar das previsões do tempo. Viajei quilômetros faminto por ter certeza de que haveria um bar ou restaurante aberto à noite em uma estrada desconhecida.

Há algum tempo vi um livro muito interessante em um antiquário. Queria comprá-lo. Como ia passar por outras lojas, resolvi deixar para depois.

— Ninguém vai comprar esse livro justo agora! — disse a mim mesmo.

Quando voltei, fora vendido. Exemplar único.

— O senhor podia ter reservado — disse o antiquário.

— É, mas eu achei…

Mas eu me esforço para não achar coisa alguma. Quem trabalha comigo não pode mais achar. Tem de saber. Mesmo assim, vivo enfrentando surpresas. Nas relações pessoais é um inferno: encontro pessoas que mal falavam comigo porque achavam que eu não gostava delas. Já eu não me aproximava por achar que não gostavam de mim! Acompanhei uma história melancólica.

Dois colegas de classe se encontraram trinta anos depois. Ambos com vida amorosa péssima, casamento desfeito. Com a sinceridade que só a passagem do tempo permite, ele desabafou:

— Eu era apaixonado por você naquela época. Mas nunca me abri. Achei que você não ia querer nada comigo. Ela suspirou, arrasada.

— Eu achava você o máximo! Como nunca se aproximou, pensei que não tinha atração por mim!

Os dois se encararam arrasados. E se tivessem namorado? Talvez a vida deles fosse diferente! É óbvio, poderiam tentar a partir de agora. Mas o que fazer com os trinta anos passados, a bagagem de cada um?

Quando alguém me diz:

— Eu acho que…

Respondo:

— Não ache, ninguém perdeu nada.

Adianta? Coisa nenhuma! Vivo me dando mal porque alguém achou errado! Sempre que posso, insisto:

— Se não sabe, pergunte! É o lema que adotei: melhor que achar, sempre é verificar!

Por Walcyr Carrasco | 19/05/2010, Veja SP - Edição 2165

Cristina Vecchio Humor, Nossa Língua , ,

Você sabe o que é tautologia?

30, abril, 2010

É o termo usado para definir um dos vícios de linguagem. Consiste na repetição de uma idéia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido.

O exemplo clássico é o famoso ’subir para cima’ ou o ‘descer para baixo’. Mas há outros, como você pode ver na lista a seguir:

- elo de ligação
- acabamento final
- certeza absoluta
- quantia exata
- nos dias 8, 9 e 10, inclusive
- juntamente com
- expressamente proibido
- em duas metades iguais
- sintomas indicativos
- há anos atrás
- vereador da cidade
- outra alternativa
- detalhes minuciosos
- a razão é porque
- anexo junto à carta
- de sua livre escolha
- superávit positivo
- todos foram unânimes
- conviver junto
- fato real
- encarar de frente
- multidão de pessoas
- amanhecer o dia
- criação nova
- retornar de novo
- empréstimo temporário
- surpresa inesperada
- escolha opcional
- planejar antecipadamente
- abertura inaugural
- continua a permanecer
- a última versão definitiva
- possivelmente poderá ocorrer
- comparecer em pessoa
- gritar bem alto
- propriedade característica
- demasiadamente excessivo
- a seu critério pessoal
- exceder em muito

Note que todas essas repetições são dispensáveis.

Por exemplo, ’surpresa inesperada’. Existe alguma surpresa esperada?  É óbvio que não.
Devemos evitar o uso das repetições desnecessárias. Fique atento às expressões que utiliza no seu dia-a-dia.

Fabiana Ribeiro Nossa Língua

Provérbios nas coxas

19, abril, 2010

O velho provérbio “Quem não tem cão caça com gato” está errado; o certo, diz-se atualmente, é “caça como gato”, isto é, sozinho — contrariando todas as obras de paremiologia publicadas até hoje e deixando o próprio Machado com cara de bobo, por escrever “com gato”.

Tem mais: não é “Quem tem boca vai a Roma”, mas sim “vaia Roma”… Essa é de cabo-de-esquadra! E o que vamos dizer aos franceses (”Qui langue a, à Rome va“), aos espanhóis (”Preguntando se va a Roma“) e aos italianos (”Chi lingua ha, a Roma va“)?

E outra coisa: nas coxas viria do hábito de moldar a telha de argila nas coxas dos escravos, o que a deixava com forma irregular! Que descoberta! Eu pensava, maliciosamente, que era expressão proibida à mesa de refeição porque indicava o velho sexo intercrural (ou interfemoral), já tão praticado na Grécia, conceito muito conhecido pela minha geração mas que os jovens atuais simplesmente não entendem (”Se chegavam na portinha, por que não iam adiante?”), e que fazer nas coxas era fazer algo afobadamente, apressadamente, deixando malfeito e incompleto o que poderia ser melhor — bem do jeito como vem sendo praticada essa etimologia de meia-pataca.

Fonte: Coluna O Prazer das Palavras — publicado no jornal ZH em 6/01/2007

Saiba mais: http://wp.clicrbs.com.br/sualingua/

Claudio Bueno Comunicação Negocial

Luz para nossos alunos

19, abril, 2010

Aluno é uma palavra cuja etimologia de araque é apresentada com sucesso em muitos seminários pedagógicos por aí. O termo viria de *luno (que significaria “luz” — só Deus sabe em que língua!), e a-luno seria aquele que está sem luz, à espera de que o professor o tire da obscuridade em que vive. Isso sugere que o termo é politicamente incorreto (!) para aqueles que defendem uma gestão democrática da escola, sendo mais adequado substituí-lo por estudante...

Essa ideia se alastrou entre muitos dos profissionais encarregados da educação dos brasileiros! Mas será que não existe uma boa alma ali que se anime a abrir o dicionário do Houaiss para ver que aluno vem do Latim alumnus, “criança de peito, menino, aluno, discípulo”, derivado de alere, que significa, entre outras coisas, “desenvolver, nutrir, alimentar, criar, fortalecer”?

Fonte: Coluna O Prazer das Palavras — publicado no jornal ZH em 6/01/2007

Claudio Bueno Comunicação Negocial

Cursos gratuitos na FGV

19, fevereiro, 2010

A Fundação Getulio Vargas é a primeira instituição brasileira a ser membro do OCWC (Open Course Ware Consortium), o consórcio de instituições de ensino de diversos países que oferecem conteúdos e materiais didáticos de graça pela internet.

Para ter acesso ao que o FGV Online oferece a você nesse Consórcio, veja as opções abaixo. Em caso de dúvidas, consulte a página de Dúvidas Frequentes.

Tópicos temáticos introdutórios na área de Gestão Empresarial - carga horária de 5h

  • Balanced Scorecard (novo!)
  • Conceitos e Princípios Fundamentais do Direito Tributário (novo!)
  • Consultoria em Investimentos Financeiros - Intermediação Financeira (novo!)
  • Direito do Trabalho - Contratação do Trabalhador (novo!)
  • Fundamentos da Gestão de Custos (novo!)
  • Gestão de Pessoas - Motivação nas Organizações (novo!)
  • Processo de Comunicação e Comunicação Institucional (novo!)
  • Estratégia de Empresas - Introdução à Administração Estratégica
  • Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável - História da Questão Ambiental
  • Gestão de Marketing - Produto, Marca, Novos Produtos e Serviços
  • Gestão da Tecnologia da Informação - TI nas Organizações: Estratégia e Conceitos
  • Técnicas de Gerência de Projetos - Gerenciamento do Escopo do Projeto

Tópicos temáticos introdutórios na área de Metodologia - carga horária de 5h

  • Metodologia de Pesquisa - Conhecimento, saber e ciência
  • Metodologia do Ensino Superior - Universidade e Sociedade

Cursos em áreas de conhecimento diversas - carga horária de 15h

  • Ciência e Tecnologia
  • Diversidade na Organização
  • Ética Empresarial
  • Recursos Humanos

Cursos para professores do Ensino Médio - carga horária de 30h

  • Filosofia
  • Sociologia

Você já domina as novas regras ortográficas da Língua Portuguesa? Acesse nosso quiz para conhecê-las e, ao mesmo tempo, testar conhecimentos gerais:

  • Quiz: Jogo das Novas Regras Ortográficas - Reconhecendo Texto e Contexto

Acesse: http://www5.fgv.br/fgvonline/CursosGratuitos.aspx

Edson Silva Parceria ,

Estatísiticas

11, fevereiro, 2010

Tweet de uma reunião com o Presidente Lula

11, fevereiro, 2010

Reunião no Palácio do Planalto, com dois dos homens mais poderosos do Brasil: o presidente da República e seu ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. O assunto é dos mais importantes dos próximos muitos anos, um plano de inclusão digital [desta vez denominado Plano Nacional de Banda Larga, ou PNBL] que pode, se for levado a cabo, resultar em R$ 14 bilhões ou mais de investimento. No contexto, o papel da [nova]Telebrás e dos restos da Eletronet, fracassada operação de backbone sobre a infraestrutura do sistema de transmissão de energia.

Há mais gente na sala e um dos presentes, segundo o ministro Paulo Bernardo, é autorizado a “tuitar” a reunião. Trata-se de Marcelo Branco, da Associação Software Livre.org. Consta que Marcelo pediu, foi liberado, e pela primeira vez lá estava o Palácio tuitando uma reunião presidencial para o mundo. Pouco provável que coisa semelhante tenha ocorrido antes em qualquer outro país.

Aí o Marcelo tuita:
#pnbl Lula: “depois de muito trabalho conseguimos conquistar de novo a ELETRONET”… “queremos fazer a TELEBRÁS voltar a funcionar”.

E as ações da Telebrás disparam na Bovespa: mais de 20% em um único dia (quarta-feira, 3 de fevereiro).

Isso tem grandes implicações, como escreve Silvio Meira em seu blog, de onde copiei quase integralmente os primeiros parágrafos.

E o mundo está cada vez mais interessante.

Fonte: Blog HSM, 5 de Fevereiro de 2010 . (http://hsm.updateordie.com/)

Edson Silva Comunicação Negocial, Comunicação no Mundo , , ,

Os 5 Macacos

5, novembro, 2009

 

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Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula. No meio, uma escada e sobre ela um cacho de bananas. Quando um macaco subia na escada para pegar as bananas, um jato de água fria era acionado em cima dos que estavam no chão.

Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros o pegavam e enchiam de pancada. Com mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas.

Então os cientistas substituíram um dos macacos por um novo. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada.

Um segundo macaco veterano foi substituído e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado com entusiasmo na surra ao novato.

Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu. Um quarto e afinal, o último dos veteranos, foi substituído.

Os cientistas então ficaram com um grupo de cinco macacos que mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar as bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque eles batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria:

"Não sei, mas as coisas sempre foram assim por aqui".

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Comunicação: chave para nossos relacionamentos

29, outubro, 2009

A parábola, de autor desconhecido, demonstra de forma simples como a não-comunicação pode ser uma vilã em nossas vidas. O entendimento se constrói diariamente e se alicerçado na vontade de fazer bem, não há como errar. Mas, tem que haver diálogo. A troca constante é o antídoto do pressuposto.

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Um casal de idosos, após 50 anos de casamento, tomava o café da manhã. Era um dia importante – Bodas de Ouro. A esposa pensou “por cinquenta anos tenho sempre sido atenciosa para com meu esposo e sempre lhe dei a parte crocante de cima do pão. Hoje desejo, finalmente, degustar eu mesma essa gostosura”.

Ela espalhou manteiga na parte de cima do pão e deu ao marido a outra metade. Ao contrário do que ela esperava, ele ficou muito satisfeito, beijou sua mão e disse “minha querida, você acaba de me dar a maior alegria do dia. Por mais de cinquenta anos eu não comi a parte de baixo do pão, que é minha preferida. Sempre pensei que eras você que deveria tê-la, já que é a sua favorita”.

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Para reflexão: texto de E. Bucklev “O Garotinho”

15, outubro, 2009

Uma vez um garotinho foi para a escola. Ele era bem um garotinho. E a escola era bem grande. Mas quando o garotinho viu que podia ir para a sua sala caminhando diretamente da porta lá de fora, ele ficou feliz e a escola não parecia tão grande assim.

Numa manhã, quando o garotinho estava há pouco na escola, a professora disse: "Hoje nós vflor amos fazer um desenho!"

"Bom!", pensou o garotinho.

Ele gostava de desenhar. Ele podia fazer todas as coisas! Leões e tigres, galinhas e vacas, trens e barcos… E pegou sua caixa de lápis e começou a desenhar. Mas a professora disse: "Esperem. Não é hora de começar!"

E ela esperou até que todos estivessem prontos. "Agora", disse a professora, "Nós vamos desenhar flores".

"Bom!", pensou o garotinho.

Ele gostava de desenhar flores. E começou a fazer bonitas flores com lápis rosa, laranja e azul. Mas a professora disse: "Esperem, eu lhes mostrarei como se faz!" E era vermelha, com a haste verde.

"Aí!" disse a professora, "Agora vocês podem começar".

O garotinho olhou a flor da professora. Então olhou para a sua. Ele gostava mais da sua flor do que a da professora. Mas ele não revelou isso. Ele apenas guardou seu papel e fez uma flor como a da professora. Era vermelha, com a haste verde.

Outro dia, quando o garotinho abria a porta lá fora, a professora disse: "Hoje nós vamos trabalhar com argila!"

Cobras e bonecos, elefantes e ratos, carros e caminhões… E começou a puxar e amassar a bola de argila. Mas a professora disse: "Esperem, não é hora de começar."

E ela esperou até que todos estivessem prontos. "Agora" disse a professora, "nós vamos fazer uma travessa."

"Bom", pensou o garotinho.

Ele gostava de fazer travessas. E começou a fazer algumas, de diferentes tamanhos e formas. Mas a professora disse: "Esperem e eu lhes mostrarei como fazer uma travessa funda." - "Aí", disse a professora, "agora vocês podem começar". Leia mais

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